Consultório particular
Como calcular o valor da consulta particular: passo a passo
- Equipe Vicentim Med, sob responsabilidade de Daniel Novi
- 4 min de leitura
Resposta rápida
Para calcular o valor da consulta particular, some os custos fixos do consultório com o valor que você quer tirar por mês, acrescente os impostos informados pelo seu contador e divida pelo número de consultas pagas que cabem na agenda. O resultado é o piso. Depois compare esse piso com o que colegas de perfil parecido cobram na sua região e refaça a conta todo ano.

Muito médico define o valor da consulta olhando o que o colega do andar de cima cobra e arredondando. Dá certo até o dia em que a agenda está cheia e sobra pouco no fim do mês. Fazer a conta pelos seus custos leva menos de uma hora e mostra se o preço atual sustenta o consultório.
Este texto mostra um raciocínio de gestão. Impostos, regime tributário e retirada do sócio são assunto pro seu contador.
Passo 1: some os custos fixos do consultório
Custo fixo é o que você paga todo mês, atenda cem pacientes ou nenhum. Liste tudo numa planilha:
- Aluguel ou sublocação da sala, condomínio e IPTU.
- Salário e encargos da secretária.
- Sistema de agenda e prontuário, telefone e internet.
- Contador, anuidades e seguros.
- Limpeza, material de escritório e manutenção.
- Marketing, se você investe com regularidade.
Use a média dos últimos meses, tirada do extrato. Despesa anual, como a anuidade do conselho, entra dividida por doze.
Passo 2: defina quanto você quer tirar e pergunte os impostos
Defina quanto você quer receber do consultório por mês, pelo seu trabalho. Esse número é uma decisão sua. Depende de quanto você ganha em outras atividades e de quanto tempo o consultório ocupa na sua semana.
Nem tudo o que entra fica com você. Uma parte vai pra impostos, e outra pras taxas da maquininha quando o paciente paga no cartão. O percentual de imposto muda conforme o regime da empresa ou se você atende como pessoa física. Peça esse número ao seu contador, e não ao colega. É o contador também quem orienta a melhor forma de fazer a retirada.
Passo 3: conte quantas consultas pagas cabem na agenda
O número que interessa é o de consultas pagas por mês, numa média realista. É aqui que a conta costuma sair otimista demais. Faça três descontos sobre as horas que você reserva pro consultório:
- Ocupação. Nenhuma agenda fica cheia o tempo todo. Há horário vago, falta e remarcação.
- Retornos sem cobrança. O retorno incluído no valor da consulta ocupa horário e não gera pagamento novo.
- Semanas sem atender. Férias, congresso e feriado tiram dias do ano.
Passo 4: faça a conta
Os números a seguir são inventados, só pra mostrar o raciocínio.
Imagine custos fixos de R$ 10.000 por mês e a intenção de tirar R$ 20.000. Precisam sobrar R$ 30.000 depois dos impostos e das taxas. Suponha que o contador informou que impostos e taxas levam, juntos, 15% do que entra. O faturamento necessário é R$ 30.000 dividido por 0,85, cerca de R$ 35.300.
Agora a agenda. Suponha 24 horas de atendimento por semana, em consultas de uma hora. São perto de 96 horários no mês. Com três quartos deles ocupados, são 72 atendimentos. Se um em cada quatro é retorno sem cobrança, sobram 54 consultas pagas.
R$ 35.300 divididos por 54 dão cerca de R$ 650. Esse é o piso do exemplo. Abaixo dele, você atende mais horas, corta custos ou tira menos. A conta ainda não desconta as semanas de férias, que empurram o valor um pouco pra cima.
O resultado muda muito com a ocupação. Com a mesma estrutura e a agenda pela metade, o valor necessário sobe bastante. Por isso vale acompanhar a ocupação todo mês, como a gente descreve em os números que o consultório deve olhar, e cuidar das faltas, assunto de como reduzir faltas em consultas.

Compare o piso com o valor da consulta na sua região
O piso diz quanto você precisa cobrar. Ele não diz quanto as pessoas da sua cidade aceitam pagar. Pra saber isso, veja o que cobram colegas da mesma especialidade, com tempo de formação e estrutura parecidos, na sua região. Não existe tabela que sirva pro Brasil inteiro.
Se o piso ficou acima do que a região pratica, há três saídas: rever custos, aumentar a ocupação ou sustentar um valor mais alto com um posicionamento claro. A terceira depende de o paciente entender o que recebe, tema de por que o paciente acha a consulta cara. Se o piso ficou bem abaixo, você tem margem pra decidir.
Numa clínica com vários médicos, a conta muda no primeiro passo. Os custos fixos são divididos entre os profissionais, em geral pelas horas de sala que cada um usa, e cada médico calcula o próprio piso com a parte que lhe cabe.
Quando reajustar o valor da consulta
Refaça a conta uma vez por ano, sempre no mesmo mês. Aluguel, salários e sistemas sobem, e o valor da consulta de muitos consultórios fica parado por anos.
Quando houver reajuste, avise com antecedência os pacientes em acompanhamento e defina a partir de que data o novo valor vale. A secretária também precisa saber apresentar o novo preço, e o roteiro está em o que responder quando o paciente pergunta o preço.