Começo de carreira

Posicionamento no começo da carreira médica: como escolher o foco

  • Equipe Vicentim Med, sob responsabilidade de Daniel Novi
  • 4 min de leitura

Resposta rápida

No começo da carreira médica, o posicionamento nasce de um foco inicial: o cruzamento entre o que você gosta de atender, o que a sua região procura e o que você já tem formação pra fazer. Sem RQE, o registro de especialista, esse foco é divulgado por público, formato e tipo de atendimento, e cresce mais pelo que você faz e pela reputação do que pelo que anuncia. A especialidade e a área de atuação só entram na divulgação depois do registro.

Médica jovem organizando a mesa de um consultório novo

No começo, a tentação é dizer que atende tudo. A saída é tratar o foco como ponto de partida, que pode ser revisto. Pra quem ainda não tem título de especialista, ajuda separar duas coisas: o que você faz no consultório e o que você divulga.

Por que "atendo tudo" dificulta ser lembrado

Quem indica precisa de uma frase curta pra lembrar de você na hora certa. "É um médico bom" não vem à cabeça em nenhuma situação específica. "Ela atende idosos em casa" vem, toda vez que alguém conta que a mãe já não consegue sair pra consulta.

Na busca acontece o mesmo. Ninguém pesquisa "médico que atende tudo". As pessoas pesquisam algo concreto, como médico que atende em casa ou consulta online.

Dá pra ter foco sem título de especialista?

Dá, desde que você separe o que faz do que divulga. No consultório, você atende o que a sua formação permite, inclusive muitos casos da mesma doença. Na divulgação, a regra é outra.

Pela Resolução CFM 2.336/2023, quem anuncia especialidade precisa mostrar o RQE, o registro de qualificação de especialista. E quem não é especialista não pode divulgar que trata de sistemas orgânicos, órgãos ou doenças específicas. Então "médico, tratamento de diabetes" fica de fora da bio e do anúncio de quem não tem o registro, mesmo que boa parte da agenda seja de pacientes com diabetes.

Em linhas gerais, dá pra divulgar que você é médico, com o seu CRM, e recortar o foco de três jeitos:

  • Por público: crianças, idosos, gestantes.
  • Por tipo de atendimento: consulta de rotina, acompanhamento.
  • Por formato: atendimento domiciliar, consulta online.

Pós-graduação cadastrada no CRM também pode aparecer, seguida de "NÃO ESPECIALISTA" em letras maiúsculas.

Escreva a frase de teste: "Sou médico, atendo tal público, em tal formato, em tal lugar." "Médico, atendimento domiciliar de idosos" diz o que você faz. "Geriatra" é um título. Confira a resolução ou o CRM do seu estado antes de colocar na bio. O resumo está em publicidade médica: o que o CFM permite e o que proíbe.

Como escolher um foco: três perguntas

Responda por escrito, com exemplos concretos. A resposta pode até ser uma doença. Ela orienta o que você estuda e atende, e a divulgação segue por público e tipo de atendimento enquanto não houver RQE.

O que você gosta de tratar? Pense nos atendimentos dos últimos meses. Em quais você estudou o caso por vontade própria? Repare também em quem estava na sua frente: criança, idoso, gestante.

O que a sua região procura? Digite o tipo de atendimento e o nome da cidade no Google e veja o que ele sugere. Em cidade menor essa leitura muda bastante, como a gente mostra em marketing médico em cidade pequena.

O que você já tem formação pra fazer? A régua é o que você faria com segurança amanhã, sem supervisão, e conseguiria comprovar se perguntassem.

O foco inicial está onde as três respostas se cruzam.

Como escolher um foco, em três perguntas: o que você gosta de tratar, o que a sua região procura e o que você já tem formação pra fazer. O foco está onde as três respostas se cruzam.

O foco cresce mais pelo que você faz do que pelo que anuncia

Sem RQE, quem espalha o seu foco é o seu trabalho. Quando você atende bem muitos pacientes parecidos, os colegas e os próprios pacientes passam a lembrar de você naquele tipo de caso.

Estude os casos que mais aparecem e dê retorno ao colega que encaminhou. A bio e o anúncio continuam falando de público e formato.

Como testar o foco por alguns meses

Use a mesma frase em todo lugar e anote quem chega. Coloque a frase na bio, no Perfil da Empresa no Google e na conversa com os colegas. Quem atende em mais de um lugar usa a mesma frase em todos, como a gente explica em como divulgar o seu nome atendendo em várias clínicas.

A cada paciente novo, anote como a pessoa chegou, o que ela procurava e se era o tipo de caso que você queria atender. Depois de alguns meses, releia as anotações:

  • Os pacientes do foco estão chegando e você gosta de atender. Aprofunde.
  • Chega muita gente com o mesmo problema. Isso mostra o que estudar e talvez qual título buscar. Na divulgação, o recorte por público e formato continua valendo.
  • Não chega ninguém. Reveja primeiro a divulgação e só depois o foco. A parte de trazer gente está em como conseguir os primeiros pacientes particulares.

O que muda quando o RQE chegar?

Com o RQE, a especialidade e a área de atuação registradas passam a entrar na divulgação, junto com o número do registro.

Até lá, mudar de foco é normal e custa menos do que parece. O que as pessoas guardam é o seu nome e o seu jeito de atender. Por isso um bom foco de começo é largo o bastante pra você crescer dentro dele, como "acompanhamento de idosos". A construção de longo prazo está em marca pessoal do médico.

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Perguntas frequentes

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